A imagem de Hollywood costuma estar associada a tapetes vermelhos, viagens, grandes salários e uma rotina cercada de privilégios. O que acontece durante a produção de um filme, porém, pode ser bem menos glamouroso.
Brad Pitt já revelou que, quando está envolvido em um projeto, seus dias de trabalho podem chegar a 14 horas.
Aos 62 anos e com décadas de carreira, o ator conhece bem o ritmo intenso das grandes produções cinematográficas. Em uma entrevista concedida à Fox News durante a divulgação de "Killing Them Softly" (O Homem da Máfia), em 2012, ele contou como funciona sua rotina nos períodos em que está filmando.
“Quando trabalhamos, é um período muito intenso. É comum trabalhar 12 ou até 14 horas por dia. Fazemos isso durante alguns meses e depois podemos relaxar um pouco”, explicou.
Em vez de manter o mesmo ritmo durante o ano inteiro, Pitt explicou que sua profissão funciona por ciclos. Durante alguns meses, praticamente toda a atenção fica voltada para as filmagens. Depois que essa etapa termina, surgem períodos em que é possível diminuir o ritmo.
A estratégia também ajudava o astro a administrar melhor o tempo dedicado à família. Ao concentrar as longas jornadas em determinados períodos, ele conseguia reservar outros momentos para estar próximo dos filhos e se dedicar a interesses que vão além da atuação.
Um deles é o design de móveis, área pela qual Pitt demonstra interesse há anos. Dessa maneira, a rotina do ator alternava meses especialmente puxados nos sets com fases de descanso, compromissos de divulgação e preparação para novos trabalhos.
As longas jornadas mencionadas por Brad Pitt ajudam a mostrar uma parte do cinema que raramente aparece para quem acompanha apenas o resultado nas telas. Uma grande produção envolve equipes numerosas, deslocamentos entre locações, preparação de figurino e maquiagem e uma série de fatores que precisam funcionar dentro de um cronograma bastante rígido.
Para um ator que ocupa o papel principal, isso pode significar passar boa parte do dia à disposição da produção. É uma realidade distante da ideia de que estrelas de Hollywood vivem entre estreias, festas e longos períodos de descanso.
Pitt construiu sua trajetória justamente participando de algumas produções de grande porte. Ao longo da carreira, esteve em filmes como O Curioso Caso de Benjamin Button e Bastardos Inglórios, além de dezenas de outros projetos.
A atenção constante sobre sua vida também obrigou o ator a desenvolver outra estratégia ao longo dos anos. Em vez de tentar simplesmente fugir do interesse da imprensa, Pitt percebeu que poderia aproveitar sua visibilidade para chamar atenção para assuntos que considerava relevantes.
Na mesma entrevista, ele falou sobre o impacto que uma produção cinematográfica pode provocar nas cidades escolhidas para receber as filmagens.
Nova Orleans foi um dos exemplos mencionados pelo astro, que destacou a geração de empregos e a movimentação da economia local.
Detroit também apareceu como exemplo de uma região que poderia se beneficiar da chegada de produções. Para Pitt, levar equipes, investimentos e oportunidades de trabalho para cidades que enfrentavam dificuldades econômicas era uma maneira de fazer com que o cinema tivesse consequências que ultrapassassem as telas.
Brad Pitt também percebeu que não conseguiria impedir completamente a presença das câmeras em sua vida. A alternativa encontrada foi tentar direcionar parte dessa atenção para projetos pelos quais realmente se interessava.
Isso incluía iniciativas ligadas à construção e ações beneficentes. Transformar a curiosidade em torno de sua imagem em visibilidade para outras causas teria ajudado o ator a encontrar uma relação mais tranquila com a exposição pública.
Sua experiência revela uma realidade pouco lembrada quando se pensa na vida das grandes estrelas: por trás de um filme de algumas horas existem meses de dedicação e jornadas que podem ocupar praticamente o dia inteiro.
No caso de Pitt, concentrar esse esforço em períodos específicos acabou se tornando também uma forma de organização pessoal. Depois de semanas ou meses trabalhando 12 ou 14 horas por dia, chegava o momento de reduzir o ritmo e abrir espaço para a família, os projetos pessoais e a vida longe dos sets.